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Castanha do Brasil
Castanha-do-brasil
Autor: Pierre Vilela

Na vida amazônica, a castanheira oferece alimento e remédio à população e passou a ser, pela importância, protegida por lei
Nome popular da fruta: Castanha-do-brasil (castanha-do-pará, castanha-da-amazônia)

Nome científico: Bertholletia excelsa H.B.K.

Origem: Amazônia

Fruto: O fruto da castanheira é um pixídio lenhoso, chamado de ouriço. Em seu interior, abriga entre 10 e 25 sementes (amêndoas), que são utilizadas para o consumo humano. Seu valor protéico é significativo – possui 17% de proteína quando desidratada. O teor de gordura da amêndoa desidratada é extremamente alto, em torno de 67%.

Planta: Árvore de grande porte que pode atingir até 50 m de altura e 2 m de diâmetro na base. Apresenta tronco retilíneo, cilíndrico, desprovido de galhos até a copa e casca marrom-escura. A castanheira é uma das principais árvores da mata amazônica e é de importância para as outras espécies, que dependem de sua sombra para se desenvolverem.

A castanheira apresenta floração nos meses de outubro a dezembro e frutificação de outubro a março. Plantas provenientes de sementes iniciam a fase produtiva em torno de 8 anos e somente aos 12 atingem a produção normal, desde que plantadas a sol pleno. Plantas provenientes de enxertia podem iniciar a produção de frutos aos 3 anos e meio.

Cultivo: Vegeta naturalmente em clima quente e úmido. Ocorre em áreas onde a precipitação média varia de 1400 a 2800 mm/ano e onde existe um déficit de água entre 2 e 5 meses.

Para plantios comerciais ou reflorestamento, deve-se estabelecer um viveiro de mudas, a partir de sementes selecionadas. As sementes iniciam a germinação 10 dias após a semeadura, podendo se estender até cinco meses, sendo que aos 80 dias já ocorreu a germinação de cerca de 70% das sementes.

As mudas estarão aptas para o plantio quando atingirem por volta de 25 cm de altura e tiverem 16 folhas abertas, sendo que o tempo necessário para isso pode ser de quatro até oito meses após a repicagem. A repicagem é a redistribuição das mudas germinadas em uma mesma embalagem (saquinho), mantendo-se apenas uma em cada recipiente.

O armazenamento e a conservação da castanha-do-pará constituem os problemas mais importantes para o produtor. Problemas como as aflotoxinas podem comprometer parte da produção e a qualidade final.

Aflatoxina é a denominação dada a um grupo de substâncias muito semelhantes e que são tóxicas para o homem e para os animais. Elas são produzidas por dois fungos (bolores) denominados Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus, que se desenvolvem sobre muitos produtos agrícolas e alimentos quando as condições de umidade do produto, umidade relativa do ar e temperatura ambiente são favoráveis. As aflatoxinas são potentes toxinas carcinogênicas (cancerígenas).

Tais toxinas são encontradas em diversos vegetais, principalmente amendoim, castanha-do-brasil, semente de algodão, pistache, ervilha, milho, centeio, arroz, gergelim, soja e batata doce. Os controles de qualidade e a fiscalização sanitária impedem a comercialização de produtos com esses problemas.

A colheita e processamento dos frutos devem ser feitos visando controlar a aflatoxina, que ocorre se os frutos ficarem amontoados muito tempo ao pé da castanheira (aguardando transporte), pois o fungo prolifera se há umidade.

Em termos médios, uma castanheira produz 29 ouriços por ano, com 16 castanhas, o que perfaz 470 castanhas/árvore/ano.

Usos: A castanheira e suas partes possuem várias aplicações. Os frutos ou "ouriços" são usados como combustível ou na confecção de objetos (artesanato). A amêndoa é o principal produto, alimento rico em proteínas, lipídios e vitaminas, consumida “in natura” ou usada para extração de óleo.

Do resíduo da extração do óleo obtém-se torta ou farelo, usado como misturas em farinhas ou rações.

O "leite" de castanha possui grande valor na culinária regional. A madeira possui boas propriedades, sendo indicada para reflorestamento e empregada tanto na construção civil como naval.

Mercado: O beneficiamento das castanhas pode ou não ser feito. As castanhas com casca podem ser vendidas desidratadas, semidesidratadas ou a granel (sem beneficiamento). As castanhas sem casca (amêndoas) são obtidas quebrando-se manualmente e podem ser vendidas com ou sem película.

Devido ao formato irregular, há uma grande porcentagem de quebra, de aproximadamente 10%. Geralmente, apenas 60% das castanhas são perfeitas e a utilização dessa quantidade, bem como parte da produção na forma de subprodutos, é alternativa para o aproveitamento dessa matéria-prima de alto valor agroindustrial.

Sua madeira é de ótima qualidade para construção civil e naval, bem como para esteios e obras externas. A madeira é moderadamente pesada, macia ao corte, textura média, superfície sem brilho e lisa ao tato. Pode também ser considerada como boa fonte de celulose. A exploração de exemplares nativos é proibida por lei, mas o que não impede seu plantio com a finalidade de reflorestamento tanto em plantios puros (solteiro) quanto em sistemas consorciados.

O óleo obtido da castanha tem uma composição muito parecida com a do óleo de gergelim e possui amplas aplicações na indústria de cosméticos.  Além de aumentar a hidratação da pele, é usado em repositores faciais, pós-barba e produtos antiidade. Utilizado, também, na fabricação de produtos para tratamento capilar como cremes, loções, shampoos, condicionadores, sabonetes, entre outros.

A torta, resíduo resultante do esmagamento e extração do óleo, apresenta inúmeras possibilidades de aplicação, visando o enriquecimento de uma grande variedade de grupos de alimentos, tais como: produtos para panificação, bebidas, embutidos, farinhas, leites, cereais, snacks, salgados, doces, sorvetes, chocolates, biscoitos, bombons e muitos outros.